

“Rien n’est beau que le vrai; Le vrai seul est aimable.”
“Eu me chamo Procurado, muitos têm me procurado, poucos têm me achado. Eu estarei à sua direita, fazendo sinal. Sou o facho que atrai todos os olhares na escuridão das frases. Eu crio seres. O óbvio, como não podia deixar de ser, pontificou. Estamos estarrecidos. Ficamos desaparecidos por um pedaço de tempo, por um compasso de espaço, o colapso passou de raspão. Cumpra-se o óbvio. O evidente previdente escondeu-se do vidente, a música, por um acidente do acaso, por um acidente esquisito, ocasionou esta sinopse. Originou essa delonga, refletiu este fluxo, repercutiu na pergunta. A solução é ineficaz para debelar o problema. O evidente acaba de ser visto.”
Paulo Leminski em “Catatau”.

“Mas, se além do aroma, quiseres outra coisa, fica-te com o desejo, porque eu não guardei retratos, nem cartas, a mesma comoção esvaiu-se e só me ficaram as letras iniciais.”
Machado de Assis em “Memórias Póstumas de Brás Cubas”
“So what. Don’t care. Will not the end.”
Headlock - Imogen Heap
“Quem não gostaria de ser estátua de si mesmo? Metamorfose, quando é demais, cansa. Quem me dera uma máscara para repousar meu rosto de todo esse vão mudar. Não se pense que vou ficar assim a vida toda. Um dia, eu mudo, vão ver. No carnaval de transformações, passa a sombra da medusa, dor sem fim de virar pedra. Sempre virar, sempre mudar, nunca se sustentar em seu próprio ser. Esta fonte é uma sopa de mentiras, um abismo de ilusões. O lugar de origem dos seres sem substância, feitos apenas de vagas impressões, enredos inverossímeis e esperanças inúteis. Tudo são deuses, o medo, o acaso, a esperança, tudo filhos do destino. Esta fonte funda dá para o inferno…”
Paulo Leminski em “Metaformose”.